Thursday, April 26, 2012

A Socialização Parte 2 - Inimigo: O Silêncio

Mais difícil do que ser obrigado a socializar com pessoas estranhas é ser obrigado a socializar com pessoas conhecidas. Pessoas que se conhece desde sempre. Pessoas para as quais já não há novidades. O acto de socializar frequentemente com alguém implica a que a uma certa altura se chegue ao temível ponto do...



S     I     L     Ê     N     C     I     O


Quando as duas (ou mais) pessoas não se preocupam com isso, não há problema. 

Quando uma delas começa a entrar em paranóia consigo mesmo sobre arranjar coisas para dizer, o desespero pode levar a dizer coisas como "pois é, pois é, está frio hoje. E o Benfica, hã? Ele há coisas..."
Ou algo pior que isso, comentarem-se notícias dos telejornais. Se formos a pensar bem, a verdadeira razão dos telejornais terem audiências é porque as pessoas precisam desesperadamente de algo para dizer. Precisam de encontrar motivos de conversa. E como as suas vidas não lhes proveem material interessante o suficiente, têm que recorrer a fontes externas. É por essa razão que há tanta revolta quando os telejornais repetem notícias ou pior... têm que recorrer às vidas das pessoas quando não ocorre nada no mundo/país. O que não deixa de ser irónico. Então, as pessoas que julgam não ter vida e que recorrem ao telejornal para terem assunto, acabam por elas próprias serem notícia pelo simples facto de... pintarem o carro de verde e branco, porque o Sporting ganhou... qualquer coisa.

Mas o pior é quando um delas começa a entrar em paranóia com a outra para que ela fale. O que leva a que a outra começa a entrar em paranóia com ela própria e com a outra que quer que ela fale. Obviamente que o resultado de tanta paranóia junta só pode levar a mais...



S     I     L     Ê     N     C     I     O




A minha conclusão é... acho que o silêncio está subvalorizado.

Wednesday, February 15, 2012

The Thing That Should Not Be Pt 1

Quantas vezes não deram de frente com situações que julgavam impossíveis, com a quebra de momentos que julgavam intermináveis, relações que chegam ao fim quando nada fazia prever isso, relações que começam quando também nada fazia prever isso? Provavelmente nem deram conta disso, se têm um espírito aventureiro, se gostam de mudança, se precisam dela. Eu sou o oposto. Eu gosto da rotina, gosto da segurança mas é engraçado verificar como a vida faz as coisas por mim. Cada vez que eu quero me acomodar a algo, a pessoas, a ambientes, seja o que for, a mudança aparece. A mudança imprevisível. A cada vez que penso que estou a estagnar, que preciso de uma mudança para a minha vida, quer profissional, quer a nível pessoal mas que não tenho o discernimento para a encontrar ou coragem para a encetar, a vida trata das coisas por mim. 

Mais do que engraçado, chega a ser irónico, colocar limites a mim mesmo, coisas que disse que nunca ia fazer e quando dou conta, já as faço há meses, anos. Como uma cena do filme da Joia do Nilo em que a personagem do Danny  DeVito está a passar por uma espécie de iniciação no grupo que protege a Joia. Essa iniciação consistia em andar descalço por cima de brasas incandescentes. A primeira reacção foi de recusa que fosse capaz de o fazer e de medo pela dor que podia provocar tal prova. Ao falar com a pessoa que o estava a iniciar, começou a andar reparando apenas alguns metros depois que já estava a caminhar pelas brasas sem se aperceber. Acredito que muitas vezes a nossa vida é assim, faz-nos caminhar por brasas sem nos apercebermos que o estamos a fazer. E quando damos conta, pensamos para connosco próprios:

"Afinal não era assim tão difícil."

Se calhar, só precisamos de ter alguém com quem falar para nos distrair e não nos fazer pensar nas brasas que os nossos pés descalços estão a pisar.