Tuesday, March 30, 2010

Esticar O Tempo

O meu principal inimigo, o tempo.

Se antes tinha dificuldades em o ocupar, agora tenho dificuldade em o arranjar. E cada vez vejo as coisas de forma mais... espiritual, digamos assim, se bem que não tenho tido a paz interior necessária para que consiga ver e sobretudo sentir. A velha história do equilíbrio. Experienciamos os extremos para que consigamos atingir o equilíbrio e por consequência, a paz. E há um segredo que eu tantas vezes sei que conheço como noutras sei que me esqueço. Há duas hipóteses, ou tentamos lutar contra isso, ou seja remar contra a maré, ou tentamos pensar as coisas friamente e ver como podemos largar a carga pesada para continuarmos a andar sem que fiquemos para trás e sem que nos afundemos.
Toda a minha vida tentei conciliar tudo e lutar contra coisas tão dificeis de controlar como o próprio tempo e acabo sempre no mesmo sítio: cansado e derrotado. Por mais que se tente, não se pode vencer o relógio, mas podemos enganá-lo.

É sobretudo nessa segunda parte que eu sinto que tenho muito para aprender. E isso consiste, neste caso especifíco, a deixar coisas para trás. Pesos menos importantes, embora tenham sempre a sua importância. Além da dificuldade em deixar coisas para trás, a dificuldade é em escolher o que deixar para trás. O que é costume acontecer é, após de meia hora a debater comigo próprio o que deixar para trás, acabar cansado e derrotado e ficar tudo na mesma. Irei ter de parar, parar para ver. E definitivamente deixar algo para trás.
Caso não resulte... sempre me resta voltar a tentar esticar o tempo.

Friday, February 19, 2010

Trabalhar Por Prazer Pt2

É um equilíbrio muito fino, tenho que admitir. Quando não se está bem, tudo serve de arma de arremesso. As rotinas, a personalidade, os amigos, o tempo e... o trabalho. O pior é mesmo conciliar três coisas fundamentais.
O trabalho, que como disse anteriormente, não se pode fugir.
Aquilo que se tem realmente prazer em fazer.
E a chamada descompressão. A socialização e o tempo para olhar para as paredes, coçar a micose e anhar.
Diria que este é o segundo nível, dado que o primeiro foi aquele focado no texto anterior. Demorou algum tempo a aceitar que não posso passar o tempo todo, 24 horas por dia, de volta da música, da ilustração e da escrita. Foi um longo e doloroso processo que julgo ter atravessado com sucesso.
Depois de ter a tranquilidade de aceitar o passar mais de 40 horas semanais entregue ao ganha-pão (ou dinheiro) surge uma nova inquietação. Conciliar o tempo livre de tudo o que se quer fazer com o tempo necessário para espairecer. Pegando no meu exemplo, que é o que conheço melhor, temos um sem número de actividades, projectos e intenções - blogs, livros, discos, desenho, arquivo e gestão de biblioteca de som e imagem - e muito pouco tempo para repartir por isto tudo. E se o tempo é pouco para repartir por todas estas actividades, a coisa piora quando o corpo simplesmente não se quer mexer. Quando não há inspiração, paciência ou energia para fazer aquilo que disse que ia fazer. E quando isto se passa muito tempo sem interrupção, ou num dos momentos menos positivos em termos de energia, o facto de se sentir que não se tem vida é coisa para desmoralizar qualquer um. Não estou a falar do artista/escritor/músico que consegue viver da sua arte. Estou a falar de todos os restantes mortais que gosta de fazer umas brincadeiras nos tempos livres mas que não tem reais ambições. É impossível não chegar a uma altura de desânimo - com o hobby em questão ou até mesmo uma conjugação de factores variados - e de não se por em causa o tempo que se "perde" com essas actividades. Enquanto outros vão à praia, às compras, ao café, a malta fica em casa, ou na garagem, ou na biblioteca, a fazer aquilo que gosta por sentir que essa é uma parte do que é, daquilo que se sente realizado a fazer. No entanto, é sempre necessário combustível para se ter energia para isso, mesmo quando se pensa inocentemente que a actividade em si é auto-sustentável. Descobre sempre da pior maneira que não é. Por vezes o abandono chega a ser de muito tempo, até se esquece da razão, do porquê se ter começado.
No fundo é tudo como disse no início, um jogo de delicados equilíbrios entre mergulhar e vir ao de cimo para respirar de vez em quando. O problema é que as coisas lá embaixo tornam-se tão absorventes que fazem com que nos esqueçamos de vir ao de cimo respirar.

Por vezes esqueço-me de vir ao de cimo, provavelmente quando tiver dominado esse fino equilíbrio, tenha passado para o terceiro nível.


A forma de