Monday, July 19, 2010

Foro Íntimo

É certo que a minha paciência para a humanidade em geral e para algumas pessoas em particular é progressivamente mais curta mas à certas coisas que me fazem confusão desde sempre:

Aqueles que gostam de ser o centro das atenções...

Quem me conhece pode muito bem afirmar "lá por seres eremita não quer dizer que os outros tenham de o ser". Sim, é verdade. Não posso desejar que todos os outros sejam como eu. Não posso e não quero, e daí as reticências na frase acima (não, não é um acesso da escrita imortal reminiscente de Mary Shelley com pretensões vampirescas de dominar todas as (e os) adolescentes deste mundo carregado de dor sensível da sensibilidade sensibilizante do sofrimento juvenil e imberbe. As reticências têm mesmo um sentido e propósito).

Se me derem uma oportunidade para explicar, vão concordar comigo.
Não vos faz confusão aquelas pessoas histéricas, que falam alto e olham à volta só para verificarem que estão a olhar para ela?
Aquelas que contam os pormenores da sua vida - ou os pormenores da vida dos outros! - a perfeitos estranhos, até mesmo pormenores que seriam dispensáveis e que não topam a figura triste que estão a fazer nem o embaraço de quem as ouve?
E aquelas que põem a sua vida na internet, em sítios que todos podem ter acesso e depois se queixam que as pessoas se metem na vida delas? Ou mais ridículo, fazem juras de nunca mais o fazerem, coisa que dura 18 minutos.

Esta coisa do nãoquero-nãoquero-nãoquero-não-quero-não-quero-não-quero irritam-me à brava. Até podem alegar "és muito drástico, ou 8 ou 80". Será que essas pessoas não o são também? Só que elas vão do 8 ou 80 com mais rapidez que eu. A esquizofrenia comportamental é coisa que além de irritar, provoca-me urticária. Porque é que ninguém diz a esta gente:

Cala-te, pá! Estou farto de te ouvir falar das merdas que fizeste, que fazes ou que vais fazer! Eu não quero saber, os teus amigos não querem saber e todos outros também não! E se insistes com essa merda depois não te queixes que falam de ti e que não te deixam em paz!

Só que depois eles tornam-se incompreendidos... e não há nada pior que este pessoal se sentir incompreendido e que tem o mundo, a vida e Zeus contra eles - se bem que Zeus se deve conter muito para não enviar um raio pelo o cu acima desta gente. Portanto o melhor é mesmo fechar os olhos, pensar em cascatas de água e ouvir música oriental para ver se a coisa passa.

Ah, as reticências!

Aqueles que gostam de ser o centro das atenções queixam-se sempre de serem o centro das atenções e dizem sempre com ar ofendido para os deixarem em paz, como se tivessemos invadido a sua intimidade quando puseram a sua intimidade à disposição de todos.

Monday, June 07, 2010

O Processo

Vou-vos explicar o processo deste blog, semelhante com alguns dos que tenho mas algo único devido à sua característica mais mundana e pessoal. Quando surge o momento de aqui escrever, mais ou menos previsto nos ciclos das estrelas, coloco a mim mesmo a questão:

"Ora o que é que me apetece falar comigo mesmo?"

Sei que a audiência é inexistente, mas é algo que não me incomoda e contra a qual não faço puto (sempre quis dizer isto) contra. Então a melhor forma é falar comigo mesmo, já que uma das minhas metas é o auto-conhecimento para melhor evolução psíquica e espiritual. Acaba por ser o objectivo em tudo o que faço, embora admita mais nuns que outros. Luto e procuro dentro de mim por novas perguntas. Perguntas e mais perguntas, até as esgotar. Por completo. Mas mais do que as esgotar, o objectivo é esgotar por completo a necessidade de as fazer. Atingir aquele estado fugaz de consciencialização universal que nos faz apenas... ser.

Não sabemos, não queremos saber. Apenas somos. UM. Completo. É certo que ter apenas este processo para atingir esse fim é para lá de patético, mas o caminho é feito de múltiplas escolhas, múltiplas dificuldades e múltiplas ajudas. Qualquer um deles é válido se nos levar ao destino, qualquer um deles é válido se for mais um passo, por mais pequeno o que seja, na direcção do caminho. Tudo é caminho. E este é o verdadeiro processo.