Tuesday, October 26, 2010

O Peso Esmagador da Condição de Solteiro...

...é tramado. Quando alguém é solteiro por muito tempo, esse facto parece incomodar as pessoas que o/a rodeiam. De tal forma, que começam a arranjar candidatos/as que acham que se enquadram no perfil. Para alguém bastante fechado, e quem a maioria das pessoas julga inatingível e inalcançável, como eu ,a coisa toma a dimensão do caricato, em que por vezes parece que para ser candidata a minha companheira basta ser rapariga, saber respirar e ser descomprometida.

-"Olha, aquela rapariga é solteira. É boa para ti."

Não levo a mal, acho até porreiro as pessoas se preocuparem com algo tão fútil como eu ter ou não relação. Nos tempos em que vivemos, nem me atrevo a pensar que não têm nada que pensar, porque entre o Sócrates e os 23% do IVA, de certeza que têm coisas mais importantes com que se importarem. No entanto, preocupam-se com esta minha condição de solteiro. Acho porreiro mas não consigo entender de onde vem a preocupação. Será algo genético, gravado no genoma de todas as pessoas, que assim que sabem da existência de alguém que é solteiro, uma frase é repetida subliminarmente constantemente até que a condição de ser solteiro se altere? Sendo uma ameaça para a continuação da raça humana, haver um bloqueio de uma pessoa que não irá se casar e ter uma ninhada de filhos. Mas... não é preciso ser casado ou ter uma relação com alguém para o acto da procriação ter lugar. Aliás, se for para salvar a humanidade, aqui estou eu para dar o corpo ao manifesto, mas duvido que será por causa disso. Na verdade, não sei de onde vem e pensando nas alternativas, até me dá vontade não saber. Se qualquer dia se deixarem de preocupar com a continuação da raça humana, de certeza que dirão algo como:

-"Olha aquela cadela, está com o cio. É boa para ti."

Quem diz cadela, diz outra coisa qualquer. E se as pessoas que me rodeiam começarem a prestar muita atenção a esta minha condição, inevitavelmente irão passar para a dinâmica do Reino Animal, começando nos felinos e acabando nos répteis.

Agora que penso nisso...
É melhor começar a aceitar as sugestões de raparigas solteiras que saibam respirar. Só para que não comecem a procurar fora da raça humana.

Friday, September 24, 2010

Less Is More

Não é novidade nenhuma o que vou dizer, principalmente para quem me conhece, ou para quem me julga conhecer. 

Estou farto desde mundo.

Das pessoas e dos seus esquemas. Do faz de conta, das aparências, das falsas simpatias, dos sorrisos por favor, da crescente banalização de tudo e principalmente, da minha crescente falta de interesse em arranjar energias e soluções para este problema. Acabo por sempre dizer que não tenho como mudar o mundo inteiro e é verdade. Este raciocínio acaba por ser sempre o fim da conversa. 

Não adianta, vamos todos queimar, vamos todos morrer, o que adianta tentar, o que adianta fazer?

No entanto, também é verdade que podemos dar o nosso pequeno contributo, fazer a nossa parte, o que nos compete. E o que é que nos compete fazer, podem perguntar vocês com direito a receber resposta?
Não embarcarmos em facilitismos, controlar o que se faz, porque nós somos o que fazemos mas nem sempre fazemos o que queremos. É importante estar no comando e embora se pense que estão sempre no controle das suas próprias acções. Basta pensar na quantidade de vezes que entram numa grande superfície a querer levar uma determinada coisa e não encontram o que procuram mas acabam por levar uma mão cheia de outras que até não pensaram sequer em comprar. Ou então, quando se está alguma tempo a ouvir falar mal de certa pessoa ou assunto e que quando há mais algum elemento novo que aparece, o julgamento já está feito.  Ou ainda coisas que fazemos porque estamos habituados a fazê-las, um hábito, porque estes impedem-nos de pensar, mantém-nos adormecidos. A rotina.

E sim, contra mim falo.

Talvez se começar por me preocupar mais comigo e menos com o que anda à minha volta, talvez se me concentrar mais nas minhas acções, não deixar de pensar em favor de rotinas pré-estabelecidas, talvez aí eu possa começar a mudança, talvez aí a minha mudança seja contagiosa, talvez aí me consiga manter acordado vinte e quatro horas por dia e não apenas por breves momentos. Sei que a crescente indiferença por este mundo é parte de um processo, processo que, quando adormecidos, temos receio de abandonar. Quando se dá muita importância ao que é material, é difícil de o largar. Agora, quando cada vez se dá menos importância, bem... tudo é bom quando vem naturalmente.

Se eu me conseguir manter acordado cada vez por mais tempo, isso vai-me obrigar a cada vez mais concentrar-me para não adormecer, ficar atento a cada movimento a cada detalhe e nessa altura, de certeza de que o mundo já não me vai preocupar tanto. 
Nessa altura, ele irá mudar.