Tuesday, August 07, 2012

Liberdade

A minha vida tem uma grande lição. Uma lição que não é fácil aprender mas que tento sempre caminhar nesse sentido. Normalmente esqueço-me sempre dela, nos momentos de maior fraqueza, de maior dificuldade. Nos momentos em que preciso dela, sobretudo.

Sempre me custou largar coisas. Largar pessoas. Olhar para trás e verificar que algo ou alguém foi deixado. Que não acompanhou. Sentimento de perda. Enorme gigante. Com coisas insignificantes. Como querer dar a mesma atenção a tudo de forma igual de forma a atingir o equilíbrio mas que depois só resulta em só se dar atenção a umas poucas coisas e nem são aquelas que nos dizem muito.
Deixar pessoas. encontrar aquele colega que não vemos desde os tempos de escola e com cada ano a passar lentamente mas de forma dissimulada, só nessa altura nos apercebemos que já passaram mais de 15 anos.

E o vazio bate.

Não gosto do vazio, sempre fugi dele a todo o gás, mas acho que dessa forma o alimentava. Ao tentar carregar comigo tudo o que podia, não deixar nada para trás, apenas consegui falhar totalmente nos meus objectivos e sentir-me... vazio. 

"Falta algo"
"O quê?"
"Não sei"
"Então leva tudo"

Até que a vida nos ensina que não podes levar tudo, a vida ensina-nos que há pessoas que têm que partir, e que as memórias das mesmas não servem apenas para nos lembrar que já não as temos. Que há coisas que têm que se perder e que... no final do dia... são apenas coisas. Coisas que se ainda as tivéssemos, não iriamos dar atenção.

Não é fácil largar. Não é fácil recomeçar. E muito menos, não é fácil destruir para recomeçar. Acabar para começar. Novamente. Sem planos, sem guias, sem dogmas. Perdidos na selva de nós próprios. Talvez sem mapa, sem regras, sem expectativas é quando se encontram as melhores coisas das nossas vidas. Principalmente porque nessa altura, sabendo a sua mortalidade, as iremos aproveitar ao máximo.

Ou assim deveríamos.

Thursday, April 26, 2012

A Socialização Parte 2 - Inimigo: O Silêncio

Mais difícil do que ser obrigado a socializar com pessoas estranhas é ser obrigado a socializar com pessoas conhecidas. Pessoas que se conhece desde sempre. Pessoas para as quais já não há novidades. O acto de socializar frequentemente com alguém implica a que a uma certa altura se chegue ao temível ponto do...



S     I     L     Ê     N     C     I     O


Quando as duas (ou mais) pessoas não se preocupam com isso, não há problema. 

Quando uma delas começa a entrar em paranóia consigo mesmo sobre arranjar coisas para dizer, o desespero pode levar a dizer coisas como "pois é, pois é, está frio hoje. E o Benfica, hã? Ele há coisas..."
Ou algo pior que isso, comentarem-se notícias dos telejornais. Se formos a pensar bem, a verdadeira razão dos telejornais terem audiências é porque as pessoas precisam desesperadamente de algo para dizer. Precisam de encontrar motivos de conversa. E como as suas vidas não lhes proveem material interessante o suficiente, têm que recorrer a fontes externas. É por essa razão que há tanta revolta quando os telejornais repetem notícias ou pior... têm que recorrer às vidas das pessoas quando não ocorre nada no mundo/país. O que não deixa de ser irónico. Então, as pessoas que julgam não ter vida e que recorrem ao telejornal para terem assunto, acabam por elas próprias serem notícia pelo simples facto de... pintarem o carro de verde e branco, porque o Sporting ganhou... qualquer coisa.

Mas o pior é quando um delas começa a entrar em paranóia com a outra para que ela fale. O que leva a que a outra começa a entrar em paranóia com ela própria e com a outra que quer que ela fale. Obviamente que o resultado de tanta paranóia junta só pode levar a mais...



S     I     L     Ê     N     C     I     O




A minha conclusão é... acho que o silêncio está subvalorizado.