Friday, December 19, 2014

Mar de Tempestades

"Não podes parar as ondas mas podes aprender a surfar" - Jack Kornfield

Por vezes vemos-nos no meio de um vasto oceano, rodeados por água, sem ter por onde ir. Por vezes somos apanhados por temporais. E embora por vezes nos conformemos com esse destino, dizendo a nós próprios que não vale a pena lutar, que não vale a pena fazer o quer que seja porque dá muito trabalho, outras entramos em pânico e queremos fugir o mais rapidamente possível do sítio, o que nos deixa em pânico porque a única coisa que temos à nossa volta é água. Esse sentimento de pânico é incrementado quando as ondas começam a cair em cima de nós, quando nos vemos apanhados no meio de uma tempestade. Dizemos a nós próprios que não queremos estar naquela situação, não queremos estar ali. Dizemos como se fosse um mantra, como se fosse as palavras mágicas para sair dali, mas nada muda. Na verdade, tudo piora. Ingenuamente, ou não, dizemos, gritamos que não queremos estar ali, gritamos por socorro, que alguma força divina nos salve, nos tire daquela situação, mas o que isso parece fazer apenas é criar mais ondas para nos cair em cima.

Quando a resistência se instala, queremos fugir por nos sentirmos irremediavelmente presos, seja por estarmos em situações que não gostamos, que nos obrigam a passar por desafios que nos deixam desconfortáveis ou dos quais não sabemos se vamos conseguir superar. E quando mais nos debatemos, quanto mais resistência temos mais resistência criamos, pior será porque não conseguimos mudar essa condição. Porque ela não depende de nós. Não conseguimos que as ondas parem de cair em cima de nós quando estamos no meio da água, nem temos hipótese de nos teleportarmos para um sítio seco. A melhor forma de fugirmos às ondas, será colocar-nos de maneira a que ela nos transportem para fora. Em vez de lutarmos, devemos deixar-nos ir pela corrente, fazer e dar o nosso melhor e quando repararmos, já estamos com os pés na areia, em terra firme. 

Quando deixamos a resistência para trás e temos alguma paz de espírito dentro de nós, podemos ouvir aquela voz que nos diz com todo o amor...

"Estás na água porque precisas de aprender a nadar."

Saturday, October 04, 2014

O Dia em Pleno

Estou irritado com a minha conformidade, estou inconformado com a minha apatia. Embora por vezes me surja de forma dissimulada e me contagie e envolva sem me aperceber, existem dias em que a lucidez me invade e eu consigo, com mistos de ansiedade e revolta, quebrar com o padrão. A questão é que… eu sei que não dura muito tempo. Este estado é o mortal consciente da sua mortalidade, que sabe que o tempo é curto e que tudo pode desaparecer de um momento para o outro. Se tivéssemos noção da nossa pequenez, da nossa mortalidade, da rapidez com que tudo o que temos e somos aparece e desaparece, talvez o vivêssemos mais a fundo, talvez vivêssemos em pleno. Cada dia é uma oportunidade para algo. Temos as manias das grandezas e não paramos para ver e sentir os pequenos detalhes. Os eternos e pequenos detalhes. Aquelas coisas que estão lá sempre, e que por vezes, apenas damos conta quando não conseguimos ou quando não podemos. Aí é que aparece o drama dos detalhes, dos abraços, das mensagens, de tudo aquilo que poderia ou deveria ter sido feito mas não o foi.

Hoje. Hoje é o dia. Hoje é o dia para ser espremido até à exaustão, para ser retirado tudo o que ele nos tem para dar. E não tem que ser uma lista de coisas, uma lista enorme de coisas, palpáveis e quantificáveis. Apenas tem que ser chegar ao final do dia e sentir… hoje fiz tudo o que podia fazer. Estou em paz. Com o mundo mas principalmente comigo.


Esse sentimento de paz… é o sinónimo de viver o dia em pleno. É o que eu quero.