Friday, August 27, 2010

Terror Nocturno

Em meros segundos, fui confrontado com a experiência mais excruciante que alguma vez tive. Não vou entrar em detalhes até porque não tenho detalhes para dar. Apenas posso dizer que me lembro, vividamente de toda a experiência mas simultaneamente é difícil tentar descrevê-la, traduzí-la para palavras. E visto esse ser um problema já recorrente, acho que nem por imagens o consigo fazer. A sensação geral foi como se tivesse morrido. Morri e saí do meu corpo. Ouvi-me a gritar como se estivesse a longos metros de mim e apesar de sentir a garganta a ceder, não fui eu que gritei. Pela primeira vez saí do meu corpo depois de muitas tentativas e a experiência foi tão intensa que senti que morri e voltei à vida. Paralisado, a querer falar mas sem o conseguir fazer.
Não sei como o consegui nem sei se quero voltar a conseguir, até porque não sei quantas vezes consigo morrer e voltar.

Monday, July 19, 2010

Foro Íntimo

É certo que a minha paciência para a humanidade em geral e para algumas pessoas em particular é progressivamente mais curta mas à certas coisas que me fazem confusão desde sempre:

Aqueles que gostam de ser o centro das atenções...

Quem me conhece pode muito bem afirmar "lá por seres eremita não quer dizer que os outros tenham de o ser". Sim, é verdade. Não posso desejar que todos os outros sejam como eu. Não posso e não quero, e daí as reticências na frase acima (não, não é um acesso da escrita imortal reminiscente de Mary Shelley com pretensões vampirescas de dominar todas as (e os) adolescentes deste mundo carregado de dor sensível da sensibilidade sensibilizante do sofrimento juvenil e imberbe. As reticências têm mesmo um sentido e propósito).

Se me derem uma oportunidade para explicar, vão concordar comigo.
Não vos faz confusão aquelas pessoas histéricas, que falam alto e olham à volta só para verificarem que estão a olhar para ela?
Aquelas que contam os pormenores da sua vida - ou os pormenores da vida dos outros! - a perfeitos estranhos, até mesmo pormenores que seriam dispensáveis e que não topam a figura triste que estão a fazer nem o embaraço de quem as ouve?
E aquelas que põem a sua vida na internet, em sítios que todos podem ter acesso e depois se queixam que as pessoas se metem na vida delas? Ou mais ridículo, fazem juras de nunca mais o fazerem, coisa que dura 18 minutos.

Esta coisa do nãoquero-nãoquero-nãoquero-não-quero-não-quero-não-quero irritam-me à brava. Até podem alegar "és muito drástico, ou 8 ou 80". Será que essas pessoas não o são também? Só que elas vão do 8 ou 80 com mais rapidez que eu. A esquizofrenia comportamental é coisa que além de irritar, provoca-me urticária. Porque é que ninguém diz a esta gente:

Cala-te, pá! Estou farto de te ouvir falar das merdas que fizeste, que fazes ou que vais fazer! Eu não quero saber, os teus amigos não querem saber e todos outros também não! E se insistes com essa merda depois não te queixes que falam de ti e que não te deixam em paz!

Só que depois eles tornam-se incompreendidos... e não há nada pior que este pessoal se sentir incompreendido e que tem o mundo, a vida e Zeus contra eles - se bem que Zeus se deve conter muito para não enviar um raio pelo o cu acima desta gente. Portanto o melhor é mesmo fechar os olhos, pensar em cascatas de água e ouvir música oriental para ver se a coisa passa.

Ah, as reticências!

Aqueles que gostam de ser o centro das atenções queixam-se sempre de serem o centro das atenções e dizem sempre com ar ofendido para os deixarem em paz, como se tivessemos invadido a sua intimidade quando puseram a sua intimidade à disposição de todos.