Monday, August 03, 2009

Saída Pt1

Quantas pessoas nós conhecemos na nossa vida? Não digo realmente conhecer porque se calhar os números seriam bastante baixos do que primeiramente esperaríamos. Os colegas, os amigos de ocasião... convenhamos, nem pelo Benfica passam tantas pessoas. A maior parte nem se apercebe disso, apenas segue a sua vida, dia após dia, sem olhar para trás. Depois quando se vê alguém conhecido a conversa é capaz de ser algo como:

"Há tanto tempo que não te via. Estás gordo(a)/magro(a), etc".

Basicamente tentamos resumir no espaço de 30 segundos aquilo que perdemos em 5 anos de forma a que não nos sintamos culpados por estarmos longe dessa(s) pessoa(s). E do outro lado, a outra pessoa, também não fica melhor porque quando lhe perguntam "Então o que tens feito? Como está tudo?" ele basicamente tem duas opções:

1) Bem, os meus avós morreram, tive 3 namoradas, um noivado e um casamento, estou a pagar uma casa, um carro e uma pensão de alimentos para pagar à mulher que entretanto me divorciei. Tenho um filho de 3 anos que não foi baptizado porque acredito na liberdade da escolha de religião mas vou-lhe dar até aos 15 anos para fazer uma escolha, depois disso obrigo-o a ser budista. Os meus pais também se divorciaram, fruto dos insucessos comerciais das pequenas empresas dos meus pais, que obrigaram que me tivesse a entalar em toneladas de dívidas para os poder ajudar. Também tenho um sobrinho que é um terrorista e que gosta de espancar gatos com uma colher de pau e de fechá-los dentro de uma sanita e puxar o autoclismo. Neste momento estou a viver uma fase de reflexão pessoal e encontrar o meu verdadeiro eu espiritual. Descobri que já fui uma prostituta na idade média e que por isso vou mudar de sexo e deixar de tomar banho para resolver todo o karma pendente que tenha dentro de mim e para viver em paz. E tu?

2) Ah, nada de mais. Isto ali, aquilo acolá. Tu sabes, o costume. E tu?

No final ficamos contentes por cada um ter seguido o seu caminho, porque chegamos à conclusão em que ainda bem que assim aconteceu porque não conseguiriamos estar perto de alguém tão desinteressante - opção 2 - ou de alguém interessante demais - opção 1. E isso conforta-nos. Dá-nos a palmadinha nas costas para seguirmos caminho, sem olhar para trás.
Nada contra isso, e contra mim falo, mas... não deixa de ser engraçado, nós estabelecermos juízos sobre as pessoas sem as conhecermos, por vezes lamentar-mo-nos de as conhecermos minimamente e quando as conhecemos minimamente, lamentarmos por isso mesmo.
Elas saiem e entram para nos mostrarem que no fundo, no fundo, andámos à nossa procura e ainda não nos encontrámos. Essa é uma hipótese. A outra é que elas entram e saiem da nossa vida para que aprendamos alguma coisa com a sua passagem, pequenos pormenores, pequenas lições. Mas nós só costuamos ver as coisas no grande plano, e por isso quando nos perguntam o que tens feito, nós não achamos nada de realmente importante para dizer.

São as pequenas coisas.

Tuesday, July 07, 2009

Liberdade II

Há coisa de 3 anos e pouco falei aqui de liberdade, ou de um aspecto dela. De como ela é ilusória ou mesmo utópica. Hoje tanto tempo depois, venho falar de uma outra parte da liberdade e do reflexo dos dias em que vivemos e fazer uma conclusão do assunto. Ou da reflexão, já que o assunto é capaz de não ter conclusão. Hoje em dia temos a possibilidade de nos expremirmos de maneiras que podem chegar e tocar milhares de pessoas, coisa impensável até há bem pouco tempo. O sítio onde estou a escrever é o exemplo perfeito disso, a blogsfera, a internet. Temos a possibilidade para os nossos pontos de vista, para as nossas teorias mirabolantes - e eu tenho muitas - para os nossos desabafos e é o nosso único refúgio. A liberdade de sermos quem realmente somos, sem máscaras sem nada. Claro que existem aqueles que usam máscaras eternamente por terem segundas intenções.
Não interessa. Tanto numa vertente como noutra, a liberdade está cá e cabe-nos a nós usá-la bem. É certo que a sociedade, o materialismo e todas as porcarias que nos deixamos que nos prendam, limitam essa liberdade... ou que nós próprios limitamos essa liberdade e também é certo que a internet permite um total oposto de liberdade que é prejudicial. Corro o risco de me estar a repetir até à exaustão mas a solução está invariavelmente no meio termo. Temos que fazer concessões, mas não nos podemos deixar oprimir pela vida que temos, pelos empregos que temos. Podemos usar a liberdade que temos e vivemos (enquanto a temos) para nos descobrirmos a nós próprios, para sermos nós próprios. Talvez a internet não favoreça isso, talvez a liberdade total da internet faça com que nos percamos naquilo que podemos fazer... e talvez o ser humano precise da falta de liberdade para saber aquilo que realmente quer e quem realmente é.

O mais provável é a maioria não o descobrir.