O nosso caminho tem sempre aqueles momentos em que olhamos para trás por não se encontrar nada de interessante no local onde nos encontramos agora e quando o futuro parece ser um grande vazio. Então olha-se para trás com esperança.
"Ah, se eu encontrasse aquela pessoa novamente... como será que ela está? "
Normalmente, costuma haver uma certa nostalgia e uma certa dor porque esses exercícios mentais não passam disso mesmo. De exercícios mentais, em que não podemos fazer nada. As pessoas não estão ao nosso alcance. Saíram da nossa vida, por nossa decisão ou inércia, e no momento em que temos esta vontade doentia de reviver o passado no presente, acabamos por concluir que não há nada que possamos fazer para mudar esse estado.
No entanto, também é possível viver no presente, sem ter uma visão propriamente pessimista do futuro, para que o passado se cruze connosco. Ver as mudanças físicas, ver como tanto mudou, como tanto tempo passou sem que se desse conta. Como a vida passou, não só no nosso lado mas como também do outro. Como a vida, de certa forma, passou por nós, e em certos momentos, inevitavelmente, passou por cima de nós.
As pessoas saíram da nossa vida e descobrimos que por vezes não conseguimos controlar nada, que muitas das vezes, mesmo que façamos um esforço, as pessoas saem da nossa vida. E até podem nem existir motivos palpáveis, até pode ter escapado ao nosso controlo, à nossa compreensão. Não interessa. O que interessa ter presente é que a única pessoa que não devia ter saído da nossa vida é aquela que normalmente não sentimos falta quando se ausenta. Nós próprios.
Quando nós voltamos a casa, todas as saídas são encaradas de forma positiva, todos os regressos com um juízo, sem exagerados exercícios de nostalgia que nos distraem daquilo que é realmente importante. Aquilo que nos faz realmente viver, aquilo que nos faz realmente sentir, de forma verdadeira, de forma pura, sem ilusões.
O Agora.
Thursday, February 14, 2013
Sunday, November 11, 2012
Breve Ensaio Sobre O Medo - Parte 1
Por muito esclarecido que se seja, é inevitável que num momento ou outro se sinta medo. Pelo futuro, pelo presente, pelo passado. Desde que nascemos, é-nos incutida a importância de ter coisas, de ter pessoas ao nosso lado, de ter uma família. No entanto, ninguém nos prepara para a eventualidade podermos perder tudo aquilo pelo qual se lutou para atingir e ter. Quando nos incutem essas coisas, incutem-nos o medo:
- Tens que estudar se queres ter um futuro.
- Tens que arranjar uma mulher/homem se não quiseres morrer sozinho, sem ter ninguém para cuidar de ti.
- Tens que ter um trabalho para poderes pertencer à sociedade.
- Tens que conviver para poderes ter amigos e te sintas integrado.
- Tens que estar informado para que possas discutir assuntos da actualidade com os outros.
- Tens que gostar desta banda, daquele desporto, daquele filme, daquele programa de televisão para que não te sintas de parte.
Temos que fazer todas estas coisas para afastar o medo. E quando não o fazemos, porque não nos interessam as consequências, vemos gestos de reprovação e ouvimos discursos de condenação. Por não termos medo. Ou por simplesmente não nos importarmos. No entanto, numa coisa ou outra, e considerando que não somos completos forasteiros, o medo acaba por ser sempre o senhor. Porque quem nos incute o medo, também o teve em si incutido, sendo apenas mais uma peça numa engrenagem que tem tendência para se perpetuar.
O medo é útil, para nos protegermos, para termos algum cuidado com os nossos objectivos, para não nos perdermos e tenhamos sempre um pé assente no chão. O problema é quando o medo é usado contra nós e não temos confiança em nós próprios porque todas as nossas vidas nos disseram que tínhamos que ir aonde todos foram e vão se quiséssemos ser alguém. Tínhamos que procurar o sucesso, não aquilo que a nossa voz interior nos diz. Até que chegamos a uma altura em que não reconhecemos mais a nossa voz. Correcção, não a chegamos a conhecer, tal como as pessoas que nos criaram não conheceram a sua. Porque não é suposto fazer o que queremos, não é suposto fazer o que sentimos. Se assim fosse, não haveria necessidade de ter medo. Bastava sentir. Mas não é suposto sentir, não é suposto saber, é suposto manterem-nos adormecidos, e habituarem-nos a não questionar.
Até que chegamos a uma altura em que se está cansado de sentir medo, de não questionar, de não saber, de não sentir.
Tenho medo, por muito orgulho que me custe admitir. Medo de ser um fracasso, de não conseguir atingir os fins a que me propus. Medo de falhar porque fui criado num mundo onde o erro é punido, apontado, visto de lado. Queria estar num momento da minha vida em que não teria de ter mais medo, em que o conseguisse superar definitivamente. Por momentos, julgo que consigo atingir finalmente esse estado, mas noutros, tenho a dolorosa confirmação de que ainda me falta um pouco.
Apenas mais um pouco.
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