Tuesday, July 07, 2009

Liberdade II

Há coisa de 3 anos e pouco falei aqui de liberdade, ou de um aspecto dela. De como ela é ilusória ou mesmo utópica. Hoje tanto tempo depois, venho falar de uma outra parte da liberdade e do reflexo dos dias em que vivemos e fazer uma conclusão do assunto. Ou da reflexão, já que o assunto é capaz de não ter conclusão. Hoje em dia temos a possibilidade de nos expremirmos de maneiras que podem chegar e tocar milhares de pessoas, coisa impensável até há bem pouco tempo. O sítio onde estou a escrever é o exemplo perfeito disso, a blogsfera, a internet. Temos a possibilidade para os nossos pontos de vista, para as nossas teorias mirabolantes - e eu tenho muitas - para os nossos desabafos e é o nosso único refúgio. A liberdade de sermos quem realmente somos, sem máscaras sem nada. Claro que existem aqueles que usam máscaras eternamente por terem segundas intenções.
Não interessa. Tanto numa vertente como noutra, a liberdade está cá e cabe-nos a nós usá-la bem. É certo que a sociedade, o materialismo e todas as porcarias que nos deixamos que nos prendam, limitam essa liberdade... ou que nós próprios limitamos essa liberdade e também é certo que a internet permite um total oposto de liberdade que é prejudicial. Corro o risco de me estar a repetir até à exaustão mas a solução está invariavelmente no meio termo. Temos que fazer concessões, mas não nos podemos deixar oprimir pela vida que temos, pelos empregos que temos. Podemos usar a liberdade que temos e vivemos (enquanto a temos) para nos descobrirmos a nós próprios, para sermos nós próprios. Talvez a internet não favoreça isso, talvez a liberdade total da internet faça com que nos percamos naquilo que podemos fazer... e talvez o ser humano precise da falta de liberdade para saber aquilo que realmente quer e quem realmente é.

O mais provável é a maioria não o descobrir.

Thursday, June 11, 2009

Livre arbitrio

Perdi completamente a capacidade de falar com outros seres humanos. Não sei se alguma vez a tive. A única maneira que tenho de ter uma conversa profunda e algo libertadora é falando com os meus dedos no teclado e a ver letras pretas a aparecerem no ecrã com o fundo branco. Mas não é uma conversa a sério, é um monólogo. O assustador é que eu sinto exactamente o mesmo quando falo com as pessoas, que essa é a razão pela qual não falo com as pessoas. Eu sei o que elas vão dizer, eu sei o que elas vão pensar. Sei o que elas vão dizer para eu ultrapassar as constantes depressões, alterações de humor, o quer que seja. Sei porque as respostas que me dão são as mesmas que tenho. Não chega, quero outra coisa qualquer. Sinto-me à procura do divino no mundano e a ficar eternamente frustrado não por saber que não o vou encontrar mas por saber que não vou desistir. Por teimosia, por estupidez por cegueira auto-inflingida.
E depois de tanto tempo continuo sem saber o que tenho, depois de tanto tempo continuo a precisar de deitar tudo cá para fora, na forma de letras pretas a aparecerem no ecrã com fundo branco, porque é único que se mantém por perto, é unico que por mais que diga idiotices não se afasta. Não porque não quer, apenas porque não pode.
Tal como eu.